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O tornar-me Psicóloga


Lembro-me das noites angustiantes que antecederam meu ingresso na faculdade, das dúvidas e incertezas que insistiam em me rodear naquele período. Mas também me lembro de procurar incessantemente por pessoas que já haviam passado por essa experiência, através de vídeos, textos e redes sociais. Pois, de alguma forma, senti que ter contato com alguém que já superou as dúvidas que me afligiam e que já havia vivido o que eu estava prestes a viver, me ajudaria.

E é justamente esse o intuito deste texto: compartilhar a minha experiência para ajudar quem pretende trilhar este caminho.

 

Por que a Psicologia?

Para ser sincera, nunca tive uma boa resposta para essa pergunta. Durante a infância e a adolescência, a psicologia nunca foi um plano. E muitas dúvidas me surgiam quando o assunto era o futuro, ou melhor, quando o assunto era quem eu seria no futuro.

Sempre admirei a profissão. A pesquisei durante um período da adolescência, não por pretender ser uma psicóloga, mas por considerar que era um momento em que eu precisava de uma. De algum modo, eu já compreendia o poder da psicologia e a capacidade que ela tinha de gerar mudanças.

Então, em uma tarde de janeiro no ano de 2020, decidi que eu entraria na faculdade, com medo mesmo. Eu queria experimentar essa nova fase, me descobrir. Lembro-me que, naquele dia, realizei minha inscrição para cursar contabilidade, área com a qual eu já tinha contato, mas não afeição. Minha mãe, sabendo que eu não gostava da área, me incentivou a pensar em outro curso, e assim fizemos, juntas. De repente, veio a decisão: eu escolhi a psicologia, sem fazer ideia dos caminhos que isso me levaria, apenas pela admiração que criei por ela na adolescência.

Pouco tempo depois lá estava eu, dentro da universidade. A sensação era a de estar em mar aberto, sozinha, apenas eu e a bagagem que o ensino público me proporcionou.

Uma semana depois do início das aulas, antes mesmo que eu pudesse conhecer toda a estrutura da faculdade, a pandemia chegou. O mundo parou, e minha experiência presencial, também.

 

Descobrindo a Psicologia

A mudança do presencial para o online não foi um choque apenas para mim, mas sim para todos. A movimentação foi enorme, mas a união também. Estávamos todos descobrindo como tudo aconteceria a partir dali, e com muitos ajustes, continuamos vivendo a experiência universitária, longe da universidade.

Foram momentos difíceis, pois como eu disse, tinha apenas a bagagem de um ensino público. Sendo assim, eu e a Mirela (minha cunhada, colega de turma e amiga) quebramos a cabeça durante dias e noites, erramos, acertamos e insistimos, até aperfeiçoarmos nossas habilidades com a elaboração de trabalhos, organização de estudos, e todo o resto que o período inicial exige.

E foi assim durante todo o período em que o ensino foi a distância. Quando retornamos, outro choque. Visto que desde a segunda semana de aula estudávamos remotamente, estar novamente de forma presencial foi como precisar, novamente, construir tudo do zero, recomeçar, readaptar.

Mas também tiveram os lados bons, podemos criar vínculos, nos aproximarmos de pessoas que tornaram essa fase mais leve, como a Letícia e a Gabriela, que juntas, completaram o nosso “quarteto". Mas para além das relações sociais, sinto que o período em que retornamos para o presencial, também me aproximou mais da psicologia, já estávamos tendo matérias mais específicas e maiores habilidades acadêmicas.

Pouco tempo após o retorno, iniciamos processos desafiadores, como os estágios de psicopatologia e psicodiagnóstico. Que nos proporcionavam contato direto com pacientes. Foi um momento que exigiu muito de mim, a elaboração de relatórios, as leituras constantes e claro, o lidar com as minhas próprias preocupações e sentimentos. Mas é inevitável dizer o quanto essa etapa me fez crescer, não apenas como pessoa, mas como profissional. Durante as aulas eu aprendia mais sobre a psicologia, mas também aprendia mais sobre mim. Na época era difícil pensar assim, mas isso só enfatiza a ideia de que toda tempestade passa.

Durante esse período tive a oportunidade de realizar estágios no CPA (Centro de Psicologia Aplicada), no CAPS II de Paulínia e no Centro de Fisioterapia Municipal de Paulínia. Passei pela psicopatologia, psicodiagnóstico, plantão psicológico, clínica comportamental e a área da saúde. Todos me desafiaram, mas me mostraram a beleza do que nós fazemos, a potência da profissão que eu escolhi.

E sim, o curso tem uma grande carga horária de estágios, é cansativo, desgastante, mas muito necessária. É o momento em que a gente pratica, exercita nossas habilidades e adquire novas. E por isso, agradeço aos professores que me acompanharam nesse percurso, sem eles, nada seria possível.

E com o passar do tempo a prática foi se tornando mais familiar, a psicologia já soava como uma coisa da qual eu pertencia, mesmo com as dificuldades. Foi um período de descobertas, onde pude mergulhar em muitas vertentes da profissão. E durante esse percurso me encantei pela psicologia comportamental e a sigo desde então.

Desde o começo dessa jornada eu sabia que queria ser psicóloga clínica, era a área que mais me gerava identificação, mas também foi um momento difícil, de descobertas e de precisar “andar com as próprias pernas”, afinal, não havia mais supervisores ou uma instituição por trás da minha prática, havia apenas eu e o conhecimento que adquiri durante os 5 anos de graduação. Mas como citei anteriormente, tempestades passam. E que bom que somos seres adaptáveis e capazes de adquirir repertórios.

Devido a pandemia, a psicoterapia online foi regularizada, trazendo maior flexibilidade para os pacientes e para os profissionais. E foi dessa maneira que iniciei meus atendimentos, e pelo bom resultado, continua sendo a maneira como trabalho. Sei que ainda existe um longo caminho pela frente, já que a jornada nunca terá um "final". Visto que cada caso exige um estudo específico e uma intervenção única. Mas isso não é um problema, na verdade é o que me lembra todos os dias da potência dessa profissão.

Se eu pudesse conversar com a Lillian de 17 anos, assim quando ela entrou na faculdade, eu diria que deu tudo certo, que as coisas se encaixaram como deveriam se encaixar, não como ela planejava ou esperava, mas da maneira que precisava ser. Muita coisa mudou durante o percurso, mas a essência desse sonho se manteve, e é isso o que importa.

Agradeço aos meus pais e familiares pelo apoio durante a jornada, ao meu noivo e aos amigos que conheci durante essa vivência. Sem dúvida alguma, vocês moldaram positivamente esse processo.  

Sou feliz por ter escolhido uma profissão que acolhe, escuta, que é viva e indiscutivelmente, necessária.

 

 
 
 

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